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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cap. 50 - Operação Bodenplatte




Janeiro de 1945 –  
Mais um ano de guerra chegava ao fim. Sentado na sala do Comandante da base aérea de Gross-Ostheim (Bavária), tragava um charuto e degustava um conhaque para esquentar o frio.
O General amaldiçoava o inverno e também agradecia a ele por conter o avanço dos aliados no oeste. A Wermach atacava pelas Ardenas e com o mal tempo os caças bombardeiros inimigos deixavam nossas tropas em paz.
- Coronel Mutley, mande o pessoal para o descanso, com o retorno das refinarias ao trabalho, recebemos um suprimento de combustível, amanhã teremos um longo dia.
- Sim senhor, pode adiantar alguma coisa?
- Não nada até o momento, é ultra-secreto.
- Boa noite senhor e feliz ano novo.
Deixei o velho com sua amargura e fui para o hangar dormir sob a asa do meu Messerschmitt, a esta altura não tínhamos mais alojamento. Deitado na cama de campanha com o frio as dores na coluna voltavam a incomodar, ainda reflexo do meu último pouso forçado. Tentava conciliar o sono.

As 05:00h da manhã primeiro dia de 1945 fomos acordados pelo estafeta.
- Comandante reunião em 30 minutos na sala do Comando.
- HUMMM ok, nem barba tenho feito mesmo.

Nossa querida Força Aérea Abutres, continuava com dois Grupos, o Grupo de Caças, comandado pelo Tenente Coronel Sipoli  equipado com BF-109 G14


 e o Grupo de bombardeiros  comandado pelo Coronel Pasfar, que devido a falta de bombardeiros, havia sido transformado em Grupo de Caças Bombardeiros equipados com FW-190A9.
Eu ( A00), Sipoli(A01) e Pasfar(A02) seguimos para receber a ordem do dia.

Ao nos apresentarmos junto com os oficiais Superiores dos outros Esquadrões, o General iniciou suas colocações e a leitura da missão para o dia 1 de janeiro de 1945.
- Senhores, realizaremos hoje a operação Bodenplatte, mais de 800 caças decolarão de nossas bases na Alemanha e atacaram 16 bases Aliadas, na Bélgica, Holanda e França. Será o maior ataque conjunto feito por nós no front oeste.
- Nosso intuito é de retomar o espaço aéreo acabando com a força aérea tática dos Aliados, assim a Wermarch poderá prosseguir com seu ataque e empurrar os Aliados até Dunquerque novamente.
Arregalamos os olhos sem dizer uma palavra, mas em nossas almas sabíamos que era uma missão de onde muitos não retornariam. Será que o OKL estava tão desesperado assim, lançando suas últimas reservas em um único ataque?

- Sim senhor estamos prontos(respondi).
- Certo, Pasfar como os FW´s tem mais autonomia, cada um leva uma bomba de 250kg, para destruir tudo que for possível em solo, principalmente os caças aliados que estiverem pousados. E depois metralhe o campo até acabar sua munição, retornando a base.
- Sipoli leva os BF´s com um tanque suplementar, fica de escolta  aos FW e derrube quem ousar levantar voo, depois  escolte os Fw´s na volta.
- Mutley coordena o ataque e na volta marque as coordenadas dos que não conseguirem retornar, assim poderemos tentar o resgate. E continuou pagando as missões dos outros esquadrões.

Batendo com a bengala no mapa, apontou nossa base e uma seta seguindo até a base de Arch na Bélgica, onde nossa unidade atacaria.

Chegamos ao hangar e passamos as ordens ao pessoal de manutenção, para preparar os aviões, nos reunimos com os pilotos e passamos nossas ordens.
Formação de combate Força Aérea Abutres
Comandante Mutley, ala Falke voando BF 109 G14
1º Grupo de caças equipados com BF 109 G14
Sipoli, Fred, Firagi, Rubens, Thomas, Eject, Deadly, Sseal, Monteiro e Biber.
2º Grupo de bombardeiros equipados com FW 190 A9
Pasfar, Viguel, Madog, Josphe, Zoiudo, Sorrentino, Gege, Marcos, Daniel e Wilker
Decolaríamos em 22 aviões, estávamos reduzidos a 22 pilotos, se nosso mascote Rabugento soubesse pilotar, ele também seria escalado para a missão.



Café terminado as 08:00h vestimos nossas roupas de voo, decolamos as 09:00h rumo noroeste para a Bélgica, depois de muitos dias de tempo ruim, finalmente tínhamos um dia bom.











Voamos a 120m de altura por 220km, Falker era meu ala.
Quando chegamos às proximidades do alvo, subimos todos, o 2º Grupo do Coronel Pasfar subiu até 2500m para mergulhar e lançar as bombas de 250kg. Os dez BF`s do Sipoli ficaram a 500m para pegar algum caça decolando eu e Falker ficamos a 2k para coordenar os ataques.
Quando terminei de subir comecei a circular o campo de aviação inimigo, e como esperávamos a flak aliada ainda comemorava a passagem de ano.
- Pilotos de BF, drop your babys. ( ejetar os tanques de combustível suplementar).
- A00, 2º Grupo em posição( Informou o Pasfar).
- A00 ciente.
- A00, 1º Grupo em posição ( Informou Sipoli)
- A00 ciente.
- A02, ataque Já!
- 2º Grupo mergulhando, voo picado agora! (Comandou o Pasfar).
Em sincronismo perfeito um por um os 10 FW fizeram a inversão e mergulharam escolhendo seus alvos.

Foi neste ponto da missão que a voz que acompanha todo guerreiro começou a questionar.
-Tá calmo demais, presta atenção( a voz em minha cabeça), aguarde o inesperado, olhe em volta.
O Campo era em forma de cruz e Pasfar atacava no sentido leste oeste. Na ponta sul da pista uma esquadrilha de 12 P-51 preparava para decolar de frente para o vento que vinha do norte, até ai tudo bem tava no papo.

Olhei mais atento e 20 P-47D voavam em espiral ganhando altura 5 milhas ao norte da base antes de irem bombardear  e streifar nossas tropas.
A batalha começou, não tinha como deter o Pasfar, e as bombas dos FW caíram sobre hangares e a flak. Despertando todo o torpor no campo, nos pilotos aliados e em nós mesmos, da calma manhã que tínhamos até então nada mais restava. No solo a correria se espalhou.

Quebrei o silêncio rádio e informei aos líderes de grupo a situação.
-A00 para A02, 2º Grupo, após jabar (lançar as bombas)suba para 3k, grupo de P-47 se aproximando  do norte. Peguem estes caras.
- Ciente( respondeu Pasfar)
- A00 para A01, vários P-51 decolando da cabeceira sul, 1º Grupo ataque Já.
- Ciente ( respondeu Sipoli)
-A00 para A09(Falker), vamos mergulhar  nos  P-47, para distraí-los.
Eu e Falker fizemos a inversão e mergulhamos atrás de dois P-47, que mergulhavam para ir atrás do Sípoli e Fred. Não conseguimos chegar perto, as 9 toneladas dos P-47 que já haviam alijados as bombas ganhavam muito mais velocidade comparadas as duas toneladas dos nosso BF´s.
Sipoli e Fred acabavam de pegar dois P-51 que estavam decolando.
- Sípoli e Fred inimigo na six, tesoura neles para aproximarmos.
Os P-47D não eram aviões de curvas como nossos BF´s, eram aviões de energia, com as tesouras de Sipoli e Fred, ficou muito fácil ficar em vantagem.
Com os P-47 tentando acompanhar as Tesouras de Sípoli e Fred, Eu e Falke chegamos neles e com rajadas de 2 segundos danificamos e colocamos fora de combate, aproveitando a velocidade do mergulho subimos para ganhar vantagem novamente.

O Rádio estava um inferno, pedidos de ajuda surgiam junto aos gritos de horrido dos que tinham suas vitórias.
Pasfar, Viguel e Sorrentino  abateram mais alguns P-47, com seus poderosos 4 canhões de 20mm.
- Olhei para trás e lá em baixo Maddog e Josphe estavam em apuros com os P-51 em seu encalço. Mas logo Deadly, Thomas, Eject e Gege chegaram para livrar seus amigos.
- Ordenei retirada e rumar para o ponto de encontro.
A Flack inimiga iniciou o seu trabalho. E alguns dos nossos foram derrubados.


Os Thunderbolts e Mustangs esboçaram uma perseguição, mas desistiram com medo de alguma armadilha.

E assim retornamos para casa, com o gosto amargo de quem perde amigos em combate, e a certeza de que o fim se aproximava.





Nota do autor: A operação Bodenplatte foi um fracasso, os Alemães destruíram 144 aviões e danificaram 62, para isto perderam 200 aviões e pilotos que não poderiam ser repostos a esta altura da guerra. Sofrendo inclusive perdas por fogo amigo, onde a própria Flak Alemã que guarnecia as bases das bombas V2 e que não fora informada sobre a passagem de seus caças, derrubou vários deles.


domingo, 16 de setembro de 2012

Cap 49 - Aquecendo Stalingrado - por Jager Riksen

Amanhecemos frente a mais um dia frio com ventos que batem no rosto como um choque que paralisa todos os músculos faciais. Sâo aproximadamente 11 hs e as atividades da base já estão a todo vapor; é possível ver treinamentos de tiro, patrulhas e diversas caminhões enfileirados trazendo uma grande quantidade de suprimentos para a base. Apesar do frio, recebemos uma quantidade suficiente de alimentos e bebidas para nos manter aquecidos, pelo menos, até o momento de sair para o pátio de grama rala e coberta de pequenas particulas de gelo. Já fazem 02 dias que a invasão a este gigante de gelo teve inicio. Nada além de uma imensa planilha esbranquiçada, com pequenos vilarejos salpicados como que de maneira aleatória nos espera. Mesmo sendo tão sem graça e sem apresentar sinal nenhum de importância estratégica, nosso comandante nos deixou bem claro a necessidade de captura deste território. Já deu para perceber, mesmo com pouco tempo aqui, que os russos também pensam o mesmo deste lugar e parecem que não vão abandona-lo sem antes muita luta e, é justamente contando com isso, que já logo após o café da manhã, o comandante da unidade, Major Thalles Gazel, convocou todos os membros da unidade I;/KG 666 para o briefing de hoje. Parece que está será a rotina daqui pra frente, acordar cedo congelando, briefing da missão do dia, preparo da aeronave e a incerteza de saber se iremos retornar para poder repeti-la.

Imagem

O briefing foi até que relativamente rápido, temos que bombardear a cidade de Stalingrado, que não só está repleta de artilharias anti-aéreas mas também será intensamente defendida por caças russos que fazem manobras de circo para nos engajar. O objetivo era identificar colunas de blindados que estão sendo produzidos e encaminhados a cidades vizinhas da região e que impedem o nosso avanço. Em seguida, nos dirigimos aos nossos caixões de lata voadores previamente armados com duas bombas de 1000 kg; algumas vezes imagino como deve ser a sensação de estar no solo quando estas marivalhas o atingem. Bom, melhor eles do que eu e, por enquanto, fico feliz em so ver o impacto lá de cima.

Após armado e prontos, nos alinhamos com a pista, imediatamente atrás dos caças que teoricamente deveriam nos defender de eventuais engajamentos, mas sabemos que não é sempre bem assim que acontece. Após muita espera, finalmente recebo autorização de decolagem e logo percebo como a neve pode ser traiçoeira com as rodas do avião, me obrigando a usar toda força no leme e segurar um pouco a acelaração do avião, que em condições normais poderia ser feita ao máximo de potência. Logo, após a decolagem, já recebo a noticia de nosso líder, que a unidade adotaria a formação diamante e, como eu estava pilotando o quarto dos seis aviões isso me deixaria nas seis da formação e extremamente exposto a um eventual engajamento. A partir dai, comecei a sentir um frio na barriga, que por sinal, já era maior do que o frio que sentia pela condição climática; eu sabia que deveria já ir me acostumando com esta sensação pois ela com certeza irá me acompanhar como uma puta atrás de dinheiro pelo resto dos meus dias neste lugar. Apesar do susto inicial e da apreensão do vôo eu sabia que nosso comandante iria dar o máximo de si para nos manter seguros pelo menos até chegarmos no alvo. O tempo foi passando e quando menos percebi, ja estavamos a 4000 m. Parece que o tempo passa mais rápido quando acreditamos que estamos nos nossos ultimos minutos de vida. Logo vem o aviso no rádio "Atenção formação, estabilizando na proa do alvo. Iniciando o bomb run em 5 min ..." O frio volta mais rápido e intenso do que antes, e piora quando, logo após passar uma gigantesca nuvem, noto a presença de um enxame de caças sobre Stalingrado. A sensação de incerteza do que irá acontecer aumenta e flashes da minha curta carreira de piloto brilham na minha frente como relâpagos na escuridão. Olha para os lados e vejo que apesar de tudo, Gazel manteve a formação fechada e que se temos alguma chance de sobreviver, estamos diante dela. Olho pelo bomb sight e já começo avistar os alvos. Realmente o serviço de inteligência estava certo, haviam diversos tanques e blindados leves em um pátio ao sul da cidade, prontinhos para serem transportados para o fronte. Vem ai, então, outor comando pelo rádio, solicitando que minha esquadrilha soltasse as bombas no pátio lateral ao central, que continha menos veículos. Imediatamente após, retifiquei a proa e já começava a seguir os alvos em minha mira. Ajustando rapidamente os parametros do mesmo, calculei um angulo aproximado de 30 graus e ativei os fuzivéis das bombas para o modo instantanêo. Eu sabia que assim que as bombas tocasssem o solo, as mesmas criariam um raio de explosão violento que iria contorcer a blindagem dos tanques como uma mão faz com um pedaço de papel. Suando frio, e com o dedo no gatilho, espero a ordem para soltar as bombas. O barulho dos fragmentos das flaks batendo na fuselagem do avião me faz acreditar que estou sendo alvejado por 3000 metgralhadoras ao memso tempo. Cada explosão estremece tudo, mas estou tão concentrado que pareço nem perceber que este "terremoto aéreo" dificulta a visualização do alvo. Finalmente, vêm o tão esperado comando "bombs away". Aperto o gatilho como se estivesse enfiando o dedo no olho do Batz e não solto até ver que as "pequenitas" já estão caindo.

Os próximos momentos são de alívio e ao mesmo tempo apreensão, fico aguardando o impacto das bombas para confirmar o feito ao meu coandante. Apos alguns segundos interminaveis, vejo que as bombas da esquadrilha do comandante Gazel acertaram em cheio o pátio central, formando verdadeiras bolas de fogo no solo; logo em seguida caem as minhas - perfeito, elas caem exatamente no pátio lateral, mandando todos aqueles imponentes tanques pros ares. O caos se estabelece na cidade e o fogo se espalha rapidamente com as explosões de tanques de combustível e outros alvo altamente inflamáveis presente no local; a cidade de Stalingrado começa a ferver no meio deste inverno congelante. Infelizmente não há muito tempo para saborear a vitória pois, um tiro certeiro na minha asa esquerda faz o motor rugir como o estômago do Knoke quando ele está com fome. Imediatamente a formação começa a curvar para a esquerda e já percebo a movimentação frenética dos gunners para repelir os caças que se aproximam. Após tentarem uma aproximação, percebo que muios deles se distraem com a presença de nossos caças na região e nos abandonam para formar verdadeiros emarranhados de aviões voando em circulos como um cão seguindo o próprio rabo. A formação logo inicia um mergulho gradual progressivo para a base. O Comandante Gazel então me notifica da proximidade com a base e que logo estariamos no solo. Como não podia ser assim tão facil, já na aproximaçaõ com a base aérea aparece um dos miseráveis russos, com um avião que parecia user um P-39. Logo os gunners começam os disparos e toda formção se contrai buscando maior proteção mutua, mas eu sei que no final das contas sou eu e minha esuqadrilha no final da formação e que nos receberiamos a primeira leva de tiros. Não deu outra, o caça veio feito um boi em uma tourada, cuspindo fogo pra tudo quanto é lado. Escuto os tiros ricochetearem em alguns pontos da fuselagem e logo em seguida, diversos atravessam-na ocmo se fosse de argila - o inimigo encontrou a sua convergência ideal e agora começa a castigar o meu He-111. Mesmo assim, me mantenho na formação e começo a esperar que um milagre aconteça e que eu consiga chegar a base e voltar a minha rotina no solo. De repente, como se alguma alma tivesse escutado minhas palavras, vem um caça FW-190, com seu longo nariz caractreistico engajar o russo covarde. Percebendo a ameaça , o mesmo mergulha rapidamente e abandona o engajamento e ao menos que outros aviões estivessem com o esse Ivan, eu sabia que estaria a salvo, pois já podia ver a pista de pouso.

Sem olhar para trás, nem por curiosidade do que aconteceu no embate dos caças, inicio os procedimentos de pouso, logo atrás do comandante Gazel que, neste momento, já começa a comemorar o feito e o sucesso da missão, dizneod que já estava pronto para outra ...

Por Ricardo "Riksen" Guimarães

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Capítulo 48 - Lutando com o Afrika korps.

O Afrika Korps 

A guerra no Norte a África era uma guerra dos italianos, lutando na Abissínia os italianos quase foram derrotados pelos ingleses, se tornando uma fonte de aborrecimento para o Fuhrer, os latinos atacavam a Grécia e a África e sempre eram derrotados, e várias vezes a Alemanha teve que enviar esforços para ajudar.


A Alemanha enviou uma força para o Norte da África em 1941, comandadas por Rommel, essa força era conhecida como  "Deutsche Afrika Korps", chegaram à Tripoli, na Líbia, em fevereiro. 


O conflito era novo, apesar da experiencia de muitos agora a guerra era no deserto, que traria muitos sofrimentos e exigiria muitas mudanças no comportamento, posicionamento tático, equipamentos e hábitos pessoais. Nos foram entregues garrafas de água maiores e óculos contra o sol que eram usado pelo exército e unidades da Luftwaffe. 





Nossos aviões foram repintados nas cores de camuflagem tropical que era principalmente amarelo escuro e o símbolo da Afrika Korps, a árvore de palma e a suástica, foi colocado como sinônimo da campanha Norte africana. 


As condições para nós pilotos eram incômodas. As temperaturas dentro do avião durante o taxi na pista mais de 70º centígrados tornando-se quase impossível a permanência dentro deles. Não é nenhum exagero quando  diziam que "você podia fritar um ovo em cima da asa do seu BF109". 


E assim fomos aos combates.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Cap. 47- BlitzKrieg, a caminho de Dunquerque

Maio de 1940.

  Após a invasão da Polônia ( 1º de setembro de 1939), onde quase não vimos aviões para combater, Eu então ainda Major, comandava o Grupo de Aviação Abutres, que era uma força praticamente independente, formada por três esquadrões.

Esquadrão de caças, comandado pelo Capitão Sípoli, esquadrão de Bombardeiros comandado pelo Capitão Pasfar e o de transporte comandado pelo 1º Ten Maddog.

Tivemos uma participação muito discreta, derrubando alguns aviões poloneses PLZ que não eram páreo para nossos Mersserschmitt 109. Passamos a escoltar o esquadrão de bombardeiros com seus HE 111, ou com bombas de 250kg ajudando os Stukas, na Blitzkrieg.
Bf 109E carregando uma bomba de 250 kg.
Com as declarações de guerra da Inglaterra e França, as proporções da Guerra mudaram, deixava de ser apenas contra um país despreparado, para enfrentarmos nações que somadas tinham o dobro do nosso potencial.

Nós da Abutres vivendo nesta atmosfera desde a primeira grande guerra. Nos adaptávamos rapidamente a sequencia de mudança que nos eram exigidas.

Sem notícias de casa já a algum tempo, não tivemos tempo para nada, quando fomos deslocados para as invasões da Dinamarca e Noruega( 09 de Abril de 1940) em que tivemos os primeiros combates aéreos contra os pilotos franceses e ingleses com seus Hurricanes e Dewoitines. Onde saímos vitoriosos graças a nossa velocidade de deslocamento e a superioridade temporária de nossos aviões.

Após a Noruega, retornamos a Alemanha, para reequipar, recompor e descansar. Após um período de licenças, voltamos a nos reunir na base aérea onde receberíamos uma nova leva de Emils ( BF-109 E1).

Mas além de novos aviões outra surpresa me esperava. Estava despachando a documentação, solicitando suprimentos para a operação Fall Gelb ( Invasão da França), quando entram na sala o staff de  oficiais da Abutres, Sípoli, Pasfar, Fred e Maddog.

- Permissão Comandante?

- Concedida, a vontade.

- Pois não senhores.

- Comandante temos uma novidade.

- Vamos a ela, não temos tempo para cerimônias.

- Cadete Eject, adiante.

Quando olhei, arregalei os olhos ao me deparar com aquele jovem. Franzi a testa e quando ia começar a esbravejar. o Jovem falou.

- Pai, desculpe, Comandante.

- Sim senhor o que significa isto?

O Capitão Pasfar tomou a palavra.

- Calma Mutley, antes de qualquer coisa deixa o garoto falar.

Até então, meu filho estava cursando engenharia e não tínhamos nenhum plano de alistá-lo.  E ai começou a narrativa.

- Pai, eu e meus amigos da faculdade de engenharia, resolvemos nos alistar escondidos no Exército, sabendo que o Sr. não aprovaria o meu alistamento. Mas quando o os tios descobriram, foram lá e me sequestraram nas fileiras do Exército, e disseram que era melhor ficar sob as vistas deles.

- E aqui está ele! ( disse o Maddog com um sorriso forçado).

Cerrei os dentes, contei até 10, andei de um lado para o outro quase explodindo. Os três entenderam e saíram, ficando apenas eu e meu filho. Olhei para ele e disse.

- Sim senhor, cadete. Da um abraço aqui no teu velho. Vamos ter que contar para sua mãe. Ela vai entender.

- Outra coisa! De hoje em diante terá que me chamar de Comandante. Apresente-se ao Capitão Maddog. Dispensado.

Após alguma reflexão, só me restava escrever para minha esposa contando esta novidade. E dar boas gargalhadas com tudo isto.

Na manhã seguinte, pude ver o Maddog, Pasfar e Sípoli instruindo os novos cadetes. Como as academias de aviação estavam cheias e demoravam a completar nossos quadros, nos foi permitido treinar alguns cadetes, os que não tivessem sucesso, passavam para a flak. Pensei ao ver meu filho sentado perto do JU-52, dos males o menor.

- Sípoli, agora me explique por que o nome de guerra dele é Eject.

- Bem Mutley, depois que vc contou como um de nossos pilotos morreu por não conseguir pular de para-quedas, ele e o amigos trabalhavam em um projeto de um acento ejetor. Acho até que vou ajudá-los quando a guerra acabar.

E assim estava batizado mais um Abutre.

Como a guerra não espera. Na semana seguinte estávamos operacionais, e os novos cadetes voando como co-pilotos nos Ju-52.

Seguimos com a invasão da Bélgica, Holanda e França.
Os temidos Fallschirmjäeger da Luftwaffe em ação.
Tendo nesta parte da guerra, uma missão em que o GAV Abutres participou com todos os meios. o objetivo era a tomada da última grande base aérea na região de Dunquerque onde a BEF estava acuada. E mesmo sendo atacados pelo melhor caça que já havíamos nos deparado, o Spitfire, nosso esquadrão de JU-52, se saiu muito bem lançando para-quedistas sobre a base, realizando as primeiras manobras de Slaceback. Em que o JU-52 com as portas abertas, sobe sobre o alvo até estolar e enquanto isto os Para-quedistas vão saltando, com quase nenhuma dispersão.

Missão Cumprida, base tomada.




Cap. 46 - Cruzes negras sobre Caen

Junho de 1944


 Com o desembarque aliado na Normandia, cai o mito da Fortaleza Europa. E todo o esforço para blindar o continente foi por terra. Rapidamente  os exércitos aliados tomaram várias cidade entre elas Caen, tendo em sua proximidade algumas bases aéreas que tínhamos utilizado na batalha da Inglaterra.

Com o grosso das forças de bombardeiro e suas escoltas partindo ainda da Inglaterra, estas bases estavam sendo utilizadas, por aviões de ataque ao solo e bombardeiros leves aliados, para ataque ao nosso porto de Calais. Ao qual os aliados esperavam tomar o quanto antes, para poder contar com mais um lugar adequado para o desembarque de suas tropas.

Lutávamos por nossas vidas naqueles dias, e em contante minoria, sendo no front oeste, uma relação de 08 aviões aliados para cada 01 dos nossos. Todos os nossos pilotos já haviam decolado para as patrulhas matinais e algumas missões de ataque a cabeça de ponte na península de Cherburg.

Neste dia me mandaram em uma missão de observação, decolando um de nossos melhores aviões, o BF-109 G10 erla. Com uma poderosa câmera, deveria voar a 10k, fotografar o avanço aliado, não entrar em combate, e RTB ( Retorno a base).

Decolei do sul, subi para oeste, ainda em nosso território, ao longe via a nuvem de poeira levantada pelas bombas da frota aliada, abrido caminho em nossas defesas.

Chegando a 9 k, rumei para o norte, entrando em território já sob domínio do inimigo. Sozinho, tirava as fotos e ficava procurando rastros de condensação, dos temíveis P-47, não queria ser surpreendido.

Voei por aproximadamente 20 minutos e fui até o mar, já bem ao norte, por duas vezes pude ver refregas entre nossos aviões e os inimigos, nesta última pareciam P-51 e alguns FW-190.

- Ai que vontade de mergulhar e ajudar estes caras. ( Murmurei)

Mas minhas ordens eram bem claras. Após tirar algumas fotos da frota aliada e os portos flutuantes nas praias, fiz meia volta para pegar o rumo de casa. Conferi da esquerda para a direita a minha volta, para ver se alguma condensação denuncia algum bandido, e quando terminei olhando para minha direita, abaixo do sol, parecia um dot ( ponto no céu). Pisquei algumas vezes para clarear a visão e apertei as pálpebras filtrando a luz do sol e já bem perto tive certeza.

- Putz P-38, curva. ( falei ordenando que meus braços fizessem alguma coisa além de parecerem imobilizados)

Curvei e o P-38 passou mergulhando em minha cauda, curvei na direção que ele seguiu e ele ao invés de subir mantendo a altitude, desceu 3k para a altura das nuvens. Resolvi não segui-lo e manter a vantagem. Aproei novamente para o sul e fiquei de olho nele, que vinha subindo abaixo da minha asa direita.

Mas, como nem sempre conseguimos cumprir as ordens ao pé da letra, não resisti aquele desfile do P-38 e seu piloto que me desafiavam a segui-los e a mostrar o que eu sabia.

Olhei em volta, e não tinha mais nenhum inimigo que pudesse interferir em nosso duelo.

Fiz uma inversão e mergulhei de 9k para 4k que era onde ele estava, minha velox era de 750km/h, e ele a uns 400km/h curvou quando me aproximei de sua six(cauda da aeronave), eu com minha experiência não entrei no jogo dele e voltei a subir e rapidamente estava a 8k.  Agora sabíamos que não tinha nenhum novato aqui, dois veteranos de anos de guerra aérea, em duelo.

Eu poderia interromper o combate e desengajar, já que tinha muita vantagem em alt. Mas a adrenalina era muita, não resisti, quando ele passou abaixo de meu nariz e mergulhei novamente, desta vez disparando dois segundos de metralhadoras. E voltei a subir e curvei em sua direção, desta vez quase cometi um erro, e agora estávamos na mesma alt., e quase passamos HTH.

Quanto ele passou por por baixo fiz uma inversão para tentar pegar sua six, mas ele subiu rápido e teve um momento de vantagem. Mas quando ele mergulhou com muita energia, fiz uma curva fechada que ele não conseguiu acompanhar.

E assim passamos mais de 10 minutos em um combate vertical de facas, com curvas e tentativas de pegar a six, sem nunca tentar o HTH. Por alguns momentos pensei que seria derrubado, o piloto adversário demonstrava extrema perícia e conhecia bem seu avião.


Arrancando o máximo do meu BF-109- G10, os ponteiros de temperatura acusavam que eu teria motor Daimler Benz 605D por pouco tempo se mantivesse o cabo do acelerador esticado, despejando toda a mistura e mais a injeção de metanol dentro dos seus cilindros, desacelerei para 90% e abri os radiadores em 100%.

Em outra manobra quando ele passava novamente por baixo, fiz uma inversão saindo praticamente em sua six, e ele subiu e iniciou um looping e ao invés de continuar no seu looping que dificultava a minha perseguição, cometeu o erro fatal.

Subiu e rolou duas vezes a direita, perdendo energia e me dando a chance de acertá-lo em um feliz tiro de deflexão. Atingi seu tanque de combustível na asa esquerda. E provavelmente danifique o ailerom desta mesma asa.


Ele voltou a rolar, agora para a esquerda, passando em mergulho bem na minha frente, acertei mais alguns tiros de metralhadora, e mergulhei invertido em sua six, ele nivelou o avião continuou sua tentativa de fuga, efetuei vários disparos de dois segundos só com as metralhadoras, esperando uma chance de usar o canhão.

O combustível vazando de seu avião grudou em meu para-brisas, tornando minha visão muito turva, mas mesmo com medo de colidir com ele continuei a perseguição, a esta altura já a uns 3k, com receio de ser engajado por algum inimigo que estivesse de passagem.

Chegamos a altura das nuvens e ele tentou algumas tesouras para ver se eu o ultrapassava. Em um certo momento acertei seu motor esquerdo, que começou a fumar.

E logo em seguida ele tenta mais um tonoux a direita, e atiro com tudo, 13mm e 30mm, acertando em cheio sua asa direita, que com a força G do rolamento se parte.

Ele cai em parafuso sem uma das asas, continuo acompanhando.

-Salte, salte, vamos lá amigo. ( grito em meu cockpit).

Puder ver a ejeção da carlinga e em seguida o piloto no ar, em forma de cruz, abrindo o para-quedas.

Sorri e balancei as asas ao passar por ele.

Voltei para a base muito feliz, pois derrubei a máquina de guerra, e poupei o veterano piloto, para quem sabe um dia nos encontrarmos em outro duelo, ou  quando a maldita guerra acabar.

Pode ter sido sorte, pode ter sido por termos aviões diferentes, mas sempre levo está lição: É importante conhecer os aviões inimigos, mas, melhor que isto "É conhecer seu avião mais do que o adversário conhece o dele!"


O Vídeo desta missão, assim como tantos outros podem ser visto em nosso canal no Youtube
http://www.youtube.com/user/AbutresTH



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Capítulo 45 - O caça secreto: Andorinha!


Depois dos voos com o Dora Nove e o Ta152, fiz meus relatórios dizendo os prós e contras das aeronaves, e como consegui dois abates com o mesmo D9 e 3 com o Ta152, me dei bem com as novas aeronaves e acabei sendo chamado a sala de comando na base para conversar a respeito desses voos de teste, com certeza meu comandante Ten. Cel. Mutley e o comando da base iriam me interrogar bastante sobre os voos.

Chegando na mesa do comandante da base vi o Co da FAA sentado. O Mutley segurava um papel, olhos arregalados, pude ver que era uma mensagem direta do alto comando OKL, achei que eu seria seriamente repreendido por ter perdido o D-9, mas não, era uma mensagem me "convidando" a voar uma arma secreta. Na mensagem diziam que meu voo deveria sair no dia seguinte as 04:00h para Berlin, iria em um Ju-52 junto com outras pessoas e suprimentos, me opus violentamente ao fato de ter de ir como passageiro em um Ju-52, o lugar de um piloto de caças é dentro de seu caça esbravejei,  os comandantes tentaram me convencer do contrário, mas apenas disse:

"Nos céus só existem dois tipos de pilotos, os que saem para caçar e os que saem para ser caçados, e de Ju-52 não dá para caçar!". Fui prontamente compreendido pelo meu comandante, o Ten. Cel. Mutley liberou minha viagem em meu FW190A5, só assim eu teria confiança em voar nos céus pontilhados de caças dos aliados, o Ten. Cel. Pasfar iria como meu ala durante o translado.

Chegando a Berlim tive um breve encontro com Hermman Goering e o nosso comandante da caça, Adolf Galland, com seu charuto e seu bigode, me lembrei do BLW Otto na mesma hora. Tivemos uma conversa sobre os problemas no front, as nossas aeronaves, os aviões inimigos, falavam de tudo mas não me falavam nada da nova arma que eu iria voar, e a minha ansiedade ia aumentando, quando finalmente começaram ao falar do desenvolvimento dos motores do Reich me apresentam os desenhos e algumas fotos da nova ave de rapina, meus pensamentos foram:
  • Esplendido
  • Lindo
  • Amedrontador
  • Fuido

Me explicaram tudo a respeito da aeronave, possuía um motor revolucionário, movido a reação, poderia voar com combustíveis menos puros, mais fáceis de se obter, voaria a velocidades altíssimas, ao menos 150km/h mais rápido que o caça mais rápido nos céus, e possuiria 4 canhões de 30mm no nariz, era a arma final pensei.

Os primeiros testes foram intensos, mas apenas de taxi na pista, os motores eram muito sensíveis, por isso a atenção dispensada ao taxiamento era enorme, poderíamos destruir o avião antes da primeira decolagem, o trem de pouso dianteiro também não era muito robusto, sensível a movimentos laterais excessivos. 



Não haviam Me262 biplaces, o que tornava o treinamento teorico muito duro, o meu primeiro voo nesse avião seria um voo solo! Após uma semana de treinamento finalmente marcaram a data da minha primeira decolagem. Não consegui dormir a noite inteira na véspera, foram pequenos cochilos e eu já acordava tenso pensando em como iria ser o voo.

Acordei muito mais cedo que o normal, fui até a pista, enquanto o sol nascia e pintava o Me262 de dourado, me sentei a uns 50m do Me262, fiquei admirando sua silhueta por mais de 40 minutos, estaria eu de frente a arma final? Seria esse avião o responsável pela reviravolta na guerra? Logo começaram a chegar os engenheiros e mecânicos do Me262, esse avião era cercado de uma aura incomum, as atenções dispensadas a ele eram enormes afinal eram caros e raros, poucas unidades haviam sido produzidas, pouco tempo depois também chegaram os pilotos dos FW190 que iriam me escoltar nas decolagens e nos pousos, afinal essa era a pior hora para estar dentro de um Me262, ele ficava extremamente vulnerável nestas situações a baixa velocidade.

Resolvi relaxar um pouco e fui tomar meu café, o pessoal do rancho batia em minhas costas, me olhavam diferente, eu não entendia o porque, até que finalmente me encontrei com o Ten. Cel. Mutley, o Ten. Cel. Pasfar e o Capitão Viguel, fui surpreendido com a presença deles, mas me senti aliviado, poderia desabafar minha ansiedade com eles. Vieram para ver esse voo, receberam autorização do OKL para estar na base de testes de armas secretas, afinal teríamos alguns desses a nossa disposição logo.

Fui para o Me262, me preparei para a decolagem, liguei os reatores, a sensação era muito estranha, sem ruídos, sem vibrações, a velocidade aumentava lentamente, consegui colocar 300km/h antes de puxar o manche. Me arrasto pelo ar após a decolagem, os FW190 de escolta começam a voar ao meu redor, mais alto que eu, vou ganhando velocidade, 400, 500, 600, 700km/h, os FW nada mais podem fazer, ficam para trás, começo a subir sobre a base que aliás ficou para trás muito rapidamente, o que até atrapalhou um pouco a navegação, afinal utilizamos a base como referencia nas navegações. Chego a 5.000m de altura, faço voos de 40 minutos durante todo o dia, não me canso desse avião.

O último voo termina as 16:30h, faço a atualização da caderneta de voo, um relatório sobre os voos, me reúno com os engenheiros de voo e temos uma conversa de 45 minutos a respeito do avião, finalmente sou dispensado as 18:30h quando vou ao alojamento para tomar um banho. Passo pelo dormitório e marco um jantar com o pessoal da Abutres.

Batemos um papo regado a muita cerveja, alguns petiscos e muitas músicas, conto tudo sobre o Me262, os 3 ficam maravilhados com essa máquina, não perdem por esperar.

No dia seguinte a rotina de testes se inicia as 06:00h, e no terceiro voo escuto um chamado no rádio: "Atenção FW190, inimigos! Localização de aviões Halifax e P-51 ao sul da base, heading 185, cerca de 100km e 5000m. FW190 podem engajar!".

E eu? Pensei!

Gritei no rádio:
-Meu Me262 esta armado?
-Sim. Respondem.
-Torre, permissão para engajar? Pergunto.
-Positivo, engajar!

Me autorizaram! Eu era o único Me262 voando naquele momento.

Alguns dos FW190 que voavam ao meu redor nessa hora já iam proa sul, mas ficam para trás rapidamente, não posso deixar de admirar esses belos Butchers com seus narizes amarelos e enquanto olho os lindos FW ficarem para trás vejo meu rastro de fumaça preta, prontamente reduzo para 95% de potência, assim meu motores não deixam rastros, serei confundido com outro caça qualquer até que seja tarde demais para o inimigo! Continuo subindo, 10.000m, ok, esta ótimo, penso.

Após poucos minutos de voo silencioso posso ver ao longe alguns pontos voando em direção a Berlim, inicio alguns mergulhos suaves a cerca de 850km/h me aproximando cada vez mais dos aviões, a sensação de pilotar o Me262 era indescritível, maravilhosa, a velocidade era pura mágica. O único problema era na questão da identificação das aeronaves antes do ataque, nesta velocidade tínhamos praticamente 2 segundos para identificar e atirar, se demorasse mais acabavámos passando pelo inimigo, o que não era muito problema também tendo em vista o uso do combate de energia com esse novo caça.

Chego rapidamente no primeiro avião, inconfundível sua silhueta com a bolha transparente do canopi e a entrada de ar em forma de corcova na barriga, era um P-51, meu pior inimigo nos ares, tento alinhar para o primeiro disparo dos meus canhões de 30mm mas o desgraçado faz uma forte curva antes do meu ataque, puxo o manche suavemente em direção ao meu ventre enquanto subo para ganhar mais energia, o segundo P-51 abre para esquerda do seu líder tentando uma armadilha. Mergulho novamente no P-51 líder, e numa descida alucinante o meu Andorinha chega a estremecer, não posso errar, mas a velocidade é absurda, tenho a vantagem agora de não precisar identificar o inimigo, sei que é ele lá, faço outra passada enquanto o P-51 tenta novamente curvar para escapar, mas dessa vez antecipo sua saída para a esquerda e consigo acertar um 30mm na ponta de sua asa esquerda, ele perde desempenho mas continua a curvar, seu ala tenta me engajar mas é perda de tempo, estou alucinadamente rápido! Volto a subir, a força G é tão intensa que começo a ter problemas na visão, minhas mãos pesam toneladas, tenho dificuldade de respirar.

Os médicos alemães estavam apreensivos no início do uso dos Me262 pois os pilotos apresentavam fortes sintomas do uso excessivo das forças G, isso foi alvo de preocupação por parte do alto comando, chegaram a nos chamar de loucos por voarmos assim, mas não tinha nada mais prazeroso que isso, o Me era nossa arma final.

Me recomponho ao final da subida, estou cerca de 2000m acima dos P-51, posso ver o líder sem o pedaço da asa esquerda, ele não me trará mais tantos problemas, resolvo mergulhar no ala, puxo uma leve curva por cima dos dois P-51 e mergulho praticamente na vertical, tenho o P-51 ala como um crucifixo no meu colimador, atiro logo na sua frente e acerto sua fuselagem bem atrás do canopi, o caça se parte em dois e quase chego a colidir com o profundor dele, pois após o ataque me preparei para passar atrás do P-51, mas seus destroços formaram uma nuvem na minha frente, mantenho a descida por alguns poucos segundos enquanto inicio novamente a subida, a essa hora o P-51 líder estaria desesperado, sem a ponta da asa ele sabia que iria morrer, então ele mergulha, na tentativa de me fazer perseguí-lo e assim perder minha vantagem, mas não caio na dele, me mantenho alto, voando acima dele, em umas vezes em que ele serpenteia para me localizar percebo que me perdeu de vista, mergulho em suas 6h baixa e passo de baixo para cima, os 30mm acertam logo na frente do radiador, fazendo o P-51 perder enormes pedaços da fuselagem e da raiz da asa, não aguentará sequer um curva, passo subindo a sua direita, a emoção é enorme, derrubar dois P-51 é uma proeza e tanto, estou cansado ao extremo as curvas drenam minhas energias, mantenho o inimigo na minhas 8h baixo enquanto curvo ainda mais a direita, ele tenta me perseguir, mas como previ sua asa direita acaba dobrando para cima, pude notar que acertou em cheio a bolha transparente do P-51 que mergulha em parafuso em direção ao solo e se espatifa no meio de uma vila a beira de um rio, espero não ter causada a morte de alemães em solo.




Como os 30mm do Me262 possuem pouca munição me preparo para voltar para casa, os FW190 começam a cruzar comigo somente agora, cerca de 4 minutos após eu iniciar os combates, aproveito para saudá-los com o típico balançar de asas dos que abatem seu inimigo, os FW190 prontamente formam ao meu lado, alguns mais acima, uma segunda leva deles passa direto indo diretamente para a ação, inicio o procedimento de descida e com a escolta consigo abrigo seguro em nossa base onde sem sequer sair do Andorinha peço combustivel e munição, vou voltar para a ação.

Praticamente ordeno outra decolagem, dessa vez não é mais uma decolagem de treino, é caça mesmo, sou autorizado, os FW190 ainda não pousaram, aviso que desta vez irei baixo, irei atrás dos bombardeiros.

Ouvindo a conversa dos pilotos dos FW que estão na frente de batalha é possível notar que alguns Halifax retornam após cumprirem sua missão, estão baixo conforme previ.

Com o Me262 ganhando velocidade nivelado a baixa altura chegarei rapidamente aos inimigos, quase 20 minutos após a decolagem posso ver quatro Halifax em formação, voando a cerca de 100m de altura, tentando se camuflar no chão passando despercebidos pelos caças que voam alto. Inicio uma subida para poder ganhar energia e passar muito rápido por esses Halifax, os gunners podem me derrubar facilmente, fico cerca de 1km longe deles, e procuro me manter uns 500m acima deles, quando a 750km/h inicio o meu mergulho, engajo primeiro o Halifax da direita, mantendo os outros todos a esquerda, as opções de fuga serão menores, podem colidir se curvarem muito para a esquerda, passo num angulo de 15 graus para baixo, mirando no cockpit do halifax aperto o gatilho segurando o mesmo apertado por uns 5 segundos, a rajada de 30mm vai acertando o Halifax desde a raiz das asas até a cauda, é possível ver por dentro dele, o mesmo inicia uma inclinação a direita, lenta, que vai tomando forma de um touneau, saio para a esquerda dele, já enquadrando o segundo Halifax, acerto poucos tiros que praticamente só acertarm a asa esquerda, errei a passada, mergulho passando por baixo deles, assim ganho velocidade e consigo escapar, vou curvando a direita me afastando desses aviões magnificos enquanto trato de ganhar velocidade e altura, completo a curva num 360 e já me ajusto na traseira do Halifax danificado, dou curtas rajadas de 30mm que vão explodindo na cauda e asas do monstro, o gunner traseiro para de atirar, será que o atingi? Minha oportunidade! Saio a direita para me manter mais afastado dos outros 2 Halifax da formação enquanto me mantenho as 4h do meu alvo, alinho meu avião com o leme para a esquerda e e atiro novamente de longe, desta vez meus tiros passam por cima dele, empurro o manche e disparo novamente, acerto logo atras das asas, o gunner lateral silencia também, pronto, sou um caçador com uma presa fácil, me aproximo rapidamente e seguro o gatilho por um longo tempo, o tremor dos canhões ao mesmo que chacoalha meu caça com sua força deve estar estremecendo o Halifax com as fortíssimas explosões na sua fuselagem, ele não se aguenta e explode em milhares de pedaços, caindo entre fumaça e fogo junto com seus destroços, a cena é aterradora e magnifica ao mesmo tempo.



Novamente subo para a proteção das alturas, onde estão os FW???? Pego rumo para a base, estou me expondo demais com esses Halifax. Volto para a base fazendo grandes esses pelos céus, estou sozinho, posso virar o alvo caso os P-51 apareçam, mas não foi o caso, após 5 minutos de voo tenso retornando para casa cruzo com os FW novamente, mais dois balançar de asas e estou indo para um descanço merecido.

Passo sobre a base e antes de fazer meu pilofe para perda de velocidade realizo outro balançar de asas, pouso tranquilamente sabendo dos FW190 a me proteger e a pista de concreto em bom estado abaixo de mim.

Finalmente posso usar um novo badge, tive meu batismo de fogo no Me262.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cap. 44 - Spy in the sky

Janeiro de 1945, queda da Prussia.

Acompanhávamos a derrocada da Wehrmacht , estávamos encurralados ao norte da Polônia, onde uma frota de navios preparava a nossa retirada pelo porto de Koningberg, bem parecida com a de anos atrás realizada pelos aliados em Dunquerque. Os Russos com a vantagem no ar de 6x1,  e suas tropas no chão capturaram toneladas de nossos equipamentos. Nossos sapadores, destruíam tudo que podiam na retirada, inclusive aviões danificados que ficavam nas bases evacuadas.

Mas por algum motivo dois de nossos preciosos ME 262 havia caído em mãos do inimigo. Estes maravilhosos caça a jato, o primeiro avião de combate com motor a reação a entrar em combate no mundo.
E agora  o inimigo poderia estudá-lo.

Reunidos na barraca da inteligência de nossa nova base, recebemos as péssimas notícias do oficial de inteligência, o Capitão Herman.

- Senhores, Sobre os dois ME 262 capturados pelos Russos, temos a informação que seriam enviados a Moscou, para testes e desmonte, para que eles pudessem desenvolver um avião a jato similar ao nosso.

Pensei até ai nada de novo, azares da guerra.

- Mas, recebemos a informação de uma coluna de nossas tropas em retiradas, que juram terem sido atacadas, por um Schwalbe ( ME-262) em ataque ao solo, lançando bombas e strafando as colunas.

- Mas Capitão, pode ter sido um caso de fogo amigo, algum dos nossos se enganou e atirou em nossas tropas.

-Sim Coronel Mutley, poderia. Mas, como nossos ME-262, foram retirados para a Alemanha para defesa de Berlim, deduzimos que o ME-262 operacional foi que nos atacou.

- Levaria muito tempo para que os Russos tivessem um piloto treinado para voar com o Rato (Apelido do ME-262 dado pelos aliados). Exclamou o Capitão Fred.

- Ai é que vem outra má notícia, um de nossos pilotos de ME-262, desertou, e a  força aérea do Exército Russo não perdeu tempo em usá-lo. Inclusive o ME-262 para passar despercebido, continua voando com as marcações da Luftwaffe.

-HUMMM (foi o murmúrio entre nossos pilotos).

Este era o pior dos quadros, a situação havia se invertido, como poderíamos voar concentrados nas missões, sabendo que do nada poderia aparecer um dos nossos atirando com 4 canhões de 30mm.

- Senhores, foi determinado pelo OKL, que devemos usar todos os meios para localizar e destruir esta nova ameaça. A Força Aérea Abutres, deve decolar em esquadrilhas, patrulhar as nossas rotas de fuga e se encontrar, perseguir até destruir o inimigo. Assim que for possível, teremos um par de ME-262 entregue a vcs para concluir esta missão.

Silêncio na sala
- Mas até que isto ocorra teremos um reforço. E precisamos de um voluntário. Durante nossa retirada, um piloto Russo quase sem combustível, pousou em em uma base nossa, pensando que estava em uma base Russa. E capturamos um YAK-9UT novo em folha. E precisamos que o voluntário, voe sobre território inimigo, com as marcações da Força aérea Russa, para não levantar suspeita e tente descobrir de que base o ME-262 está decolando. Assim poderemos bombardeá-la e quem sabe voltar a ter menos reclamações do exército.


Muitos se apresentaram para experimentar a aeronave russa. Eu me levantei e disse:

- Senhores, fico muito orgulhoso em ver tantos voluntários dentre os Abutres. Mas para uma missão quase suicida como esta, em que o piloto sendo preso pelos russos voando em uma de suas aeronaves, será fuzilado sumariamente,  creio que deveríamos tirar na sorte.

- Coronel tem mais uma coisa (Falou o Capitão da Inteligência). Isto não será necessário, tendo em vista que os Comandantes Sípoli e Pasfar precisam preparar as patrulhas com os seus pilotos, e com sua experiencia tendo sido piloto de prova, o Senhor foi escolhido.

- Sobrou - resmunguei.

Acabada a reunião, segui para o Hangar, onde camuflado estava o fabuloso avião fabricado pelos russos, subi na escada de acesso e olhei em seu cockpitch, colado abaixo de cada instrumento, o nome em alemão, para me facilitar a vida. O mecânico encarregado, me passou rápidas instruções, sobre aceleração, a marcação de combustível, altímetro e tudo mais. Eu que já havia derrubado muitos Yaks na Russia e que também já havia sido abatido por eles, sabia das qualidades desta aeronave, principalmente quando ao armamento e a capacidade de curvar.

Me despedi de nosso mascote, o famoso cão Rabugento, que tinha um humor pior que o meu, quando volto a pé para a base.


O caça- bombardeiroYAK-9UT, apesar de não ter um dos motores mais potentes da guerra, o VK-107 A com apenas 1.180hp, era conhecido por seu forte armamento, 2 canhões de 20mm B20s e um de 37mm no eixo do hélice NS-37. E também por ser um dos mais manobráveis da guerra, tendo o piloto que tomar muito cuidado para não desmaiar devido a força G que ele criava em suas curvas muito fechadas.

E lá estava eu dentro do cockpitch da aeronave inimiga pela primeira vez, imaginando a sensação de um piloto Russo prestes a decolar. Taxiei para a cabeceira da pista e em minhas asas, Falker e Josphe de BF 109 para me escoltar, caso algum  outro avião alemão tentasse me derrubar, me escoltariam até o front, e na volta me receberiam e acompanhariam até a base.

Decolados, seguimos para o sul, onde as tropas se aglomeravam em fuga pelas estradas poeirentas, minha escolta balançou as asas e RTB. E eu passando o front, subi a 9k em direção a base Russa mais próxima ao front. muito alto, só avistei alguns PE-2 decolando e nada mais, fiz uma curva e voando com muita economia retornei ao fronte, onde fiquei Abutreando nossas colunas em retirada. Mais adiante cerrei os olhos e pude ver a flak rápida atirando em alguma coisa, mergulhei para 5k, pois não vi nada lá de cima, agora tinha que me preocupar com aviões russos e alemães, pois a esta altura qualquer um poderia me engajar.

Com muito custo avistei um dot, atirando rajadas de canhões de 30mm e lá ia nosso rato, em uma velocidade estúpida, impossível de acompanhar, me posicionei entre ele e ao front por onde imaginei que ele iria evadir para a sua base. E assim que ele passou, mergulhei em sua direção, mas ele estava muito rápido uns 900km/h, meu caça em mergulho poderia chegar no máximo a 700km/h. Segui-o de longe até que ele pousou na base. Voltei a subir para 9k de altitude. Fiquei esperando, coloquei em modo econômico novamente e ai minha paciência foi recompensada, pensei em atacar quando ele estava decolando, assim como os Britânicos faziam com o Tempest para derrubar nossos ME-262, mas nesta base a Flak era muito reforçada. eu não teria chance. Acompanhei lá de cima o trajeto do desertor, e ele seguiu outra estrada, até iniciar novo processo de strafamento de nossas tropas. Mergulhei e o perdi momentaneamente, pois ao verem as estrelas vermelhas em minhas asas, a flak disparou insana contra minha aeronave. E quando vi novamente, os rastros de fumaça dos dois motores Jumos, encontrei o Rato fazendo uma curva a esquerda para voltar a strafar nossas tropas,

- Pqp por que eu não trouxe foguetes (murmurei).

O piloto desertor deve ter se assustado, ao dar de frente com um avião engajando ele. Mas, confiante em sua velocidade e poder de fogo, veio HTH comigo.


Aparentemente ele estava longe e demorei a atirar, vi o fogo em seus canhões, e senti um tranco em meu avião quando ele passou rapidamente logo acima. Meus tiros não acertaram, meu avião começou a virar para a esquerda, testei meus ailerons e leme e tudo respondia, mas quando testei o profundores , quase estolei, olhei para trás e me espantei de ainda estar voando, pois o profundor do lado esquerdo havia sido arrancado, e tinha também um buraco feito por um dos obuses de 30mm na asa esquerda.

Decidi o mais rápido possível, se corre o bicho pega, se ficar ainda tenho alguma chance. De olho no Rato, fiz a curva a esquerda, subindo como podia. ele curvou e ao invés de aproveitar sua ampla vantagem em velocidade e razão de subida, achou que eu já estava liquidado e desceu em HTH novamente, desta vez eu suando já estava com os dedos nos gatilhos, baixei o nariz um pouco, e quando quase podia tocá-lo,




cabrei o nariz e atirei com tudo, ele errou pois não esperava minha manobra e eu com um tiro de sorte, acertei a turbina esquerda que incendiou imediatamente.


Curvei novamente atrás dele, ele fez uma inversão e mergulhado conseguiu apagar o fogo. recuperou rente ao solo e com uma ampla curva foi em direção as suas linhas e base.

Meu avião muito danificado puxava para a esquerda, mas eu não podia deixar esta ameaça a salvo e fui atrás dele até bem próximo a sua base, quando ele com o motor em chamas novamente, tentou pousar na grama de um pasto. Como o 262 demanda uma comprida pista de concreto, ele quicou no pasto e quebrou o trem no segundo toque, vindo a capotar e explodir.
                 









Satisfeito e suando muito, continuei lutando para não cair, pois estava em território inimigo e não queria ser fuzilado como espião.

30 minutos depois com escolta de Falke e Josphe pousei em nossa base. Todos admirados pela resistência do YAK-9 russo.





domingo, 19 de agosto de 2012

Cap. 43 - Stuka vs Tempest

O carro deslizou lentamente pelo asfalto até apontar para uma das dezenas de garagens daquele bairro residencial. Quase que ao mesmo tempo, duas portas se abriram e um casal saiu de seu interior. Por um breve momento, eles ficaram parados ali mesmo, olhando para a grande casa que intimidava a qualquer pessoa que passasse a sua frente.
– Vai ser difícil encarar está casa sem ele, Ana. – Disso o motorista com as mãos na cintura.
– Eu sei, querido! Ele praticamente a construiu – retrucou a mulher ao seu lado, que completou. – Mas teremos de enfrentar, os médicos não foram muito otimistas hoje.
– É verdade – respondeu Eduardo com um ar de desânimo.
– E então, vai querer mesmo mexer nas coisas dele? Ele nem morreu ainda. Podemos fazer isso outro dia, amor. O que acha?
– Não, quero fazer isso hoje. Quero relembrar a sua estória com ele ainda vivo. – Eduardo retrucou com firmeza a sua esposa, que não discutiu.
Ambos então caminharam para uma das garagens da casa, onde o velho guardava as suas coisas. Após um clique do controle remoto de Eduardo, o portão de madeira começou a se abrir. O primeiro rangido foi bem alto, pareceu até que ele não se abriria. Mas, aos poucos, o motor elétrico venceu o atrito e a luz foi revelando o perfil de um ambiente caótico.
– Nossa, que confusão. Há meses que eu não entrava aqui – confessou Ana.
– Também não sabia que estava assim. E não sabia que ele tinha tanta quinquilharia guardada.
– E o que você está procurando exatamente, querido?
– Lembranças, apenas lembranças!
Foi difícil decidir por onde começar, mas uma fenda por entre os estojos deu a eles uma dica. E por ali avançaram, um atrás do outro, com Eduardo à frente seguido de perto por Ana que às vezes se apoiava no marido para não se desequilibrar.
Lentamente, o local foi se revelando: objetos grandes, objetos pequenos. Objetos conhecidos, outros nem tantos. Uns embrulhados, outros jogados. Mas tudo tinha algo em comum: eram velhos, muito velhos.
A cada passo, Eduardo parava para observar este estranho mundo numa busca por algo que trouxesse seu pai a mente, mas só via confusão. Confusão que revelava a mente perturbada de um ex-combatente da segunda guerra.
Mais ao fundo, onde a luz da rua já perdia para a escuridão, Eduardo avistou uma caixa diferente das outras. Uma caixa muito bem embrulhada, lacrada e colocada cuidadosamente num canto da garagem.
Ele empurrou, afastou, se arranhou, espirrou... até alcançar o seu objetivo. E ali mesmo, sentados em bancos improvisados, os dois cortaram o lacre da caixa.
– Veja, querido. São fotos!
E como crianças cheias de curiosidade, começaram a remover o seu conteúdo.
– Olha o Klaus aqui, e cheio de cabelo. Que engraçado! Quando me casei com você, ele já era carequinha.
– É, meu amor. Meu pai já teve cabelos um dia.
– E essas pessoas aqui, quem são?
– Bem, são meus tios. Aqui é o meu avo, minha avó...
Eram muitas fotos, muitas fotos de família: tios, avós, primos, amigos... Fotos que trouxeram muitas lembranças há muito apagadas pelo tempo. Mas Eduardo mostrou espanto quando achou um monte específico de fotos.
– Olhe, amor! Era isso que estava procurando.
– Deixe ver! Que fotos são estas?
– Da Segunda Guerra. Veja!
Eduardo passou os olhos bem devagar em cada uma delas e, aos poucos, recordou das noites em que seu pai ia a sua cama para lhe contar estórias sobre a grande guerra. Lembrou principalmente do jeito especial que Klaus fazia com as mãos para imitar o movimento dos aviões no céu. A cada mergulho do Stuka de seu pai, a mão direita do ex-combatente, marcada com uma grande cicatriz, passava perto de seu rosto, que ficava com os olhos arregalados. Tudo acompanhado de uma sonoplastia muito barulhenta.
– Vrummmm....
– Buuummmm...
– Tra, ra, ra, ra, ra...
Ele lembrou também de uma coisa que seu pai sempre repetia:
– Tá vendo isso aqui, meu filho? Na minha mão? Foi um demônio de corpo listrado que fez isso comigo. Ele me perseguiu cuspindo balas de fogo, e uma delas atravessou todo o meu avião para me atingir. Mas eu voltei para casa, e ele não. Tudo graças ao meu amigo. Grande homem! Por onde será que ele anda
Mas uma coisa escapava a memória de Eduardo:
– Como foi mesmo a estória da mão dele, você lembra? E como se chamava esse amigo que ele tanto falava?
– Sinto muito, amor. Foram tantas estórias que tudo para mim era uma grande confusão.
– É verdade. Chegou uma hora que ele misturava tudo.
Eduardo e Ana começaram a arrumar as fotos com muito cuidado, exatamente como haviam encontrado. Mas quando estavam prestes a fechar a caixa e se desligarem do passado, uma foto no fundo da caixa chamou a atenção de Eduardo. – Espere, há mais uma foto aqui. Olhe, amor! Esse cara aqui, lembro-me bem dele. E lembro-me também da estória da mão.
– Sipoli, vê alguma coisa aí?
– Por aqui, nada! Céu de brigadeiro – uma voz que veio do Stuka ao lado respondeu pelo rádio, acompanhado de muitos chiados. – A emoção está lá na frente nos esperando, Klaus! Não tenha pressa!
– Você realmente não é nada animador. E vocês dois aí a trás, porra. Vêem algo?
– Aqui, nada! – berrou outra voz, também vinda pelo rádio. Era o gunner de Sipoli respondendo.
– E aqui também não, nada – foi à vez do gunner de Klaus, mas este não usou o rádio. Respondeu aos berros dentro da cabine quente e barulhenta do fadigado Stuka.
– Então vamos calar as nossas bocas e vamos voar – ordenou Klaus.
A missão era difícil. Os dois aviões carregados de bombas e combustível tinham de voar na proa “West” sobre uma longa floresta muito bem patrulhada, motivo de estarem “lambendo” a copa das árvores. Sobre esse mundo verde, tinham de encontrar uma perna de rio para segui-la por um tempo até dobrarem à esquerda na segunda ponte. Oitenta quilômetros estrada acima estaria o alvo, um acampamento aliado ao lado de uma pequena vila.



Os desafios eram muitos: se acharem no mapa, achar o rio, achar a estrada, depois a vila, depois o alvo... Tudo isso sem serem achados pela patrulha aérea ou uma artilharia antiaérea qualquer perdida no meio do caminho. Naquela altitude de vôo, seria fatal.
Já voavam por duas horas, e aquele oceano parecia não ter fim. Estavam cansados do silêncio e da monotonia da paisagem. Mas ao olhar para a asa direita, Klaus percebeu uma pequena fenda na copa das árvores, que foi aumentando á medida que se aproximavam. O silêncio foi então quebrado.
– Alguém quer água?
– Não.
– Também não.
– Nem eu.
Responderam todos sem perceberem a ironia do comandante, que voltou a falar. – Seus imbecis! Eu falei água. Olhem para ás nossas 3 horas. É a porra do rio, caralho! Vamos para cima dele.
Em perfeita sincronia, os dois aviões executaram uma curva para a direita e voaram para a ponta do rio. De lá, e quase molhando as meias, seguiram sobre a água cristalina. Também tiveram de mudar o tipo de formação. Estavam agora em linha com Klaus à frente, pois a largura do rio não permitia mais o vôo lado a lado.
– Quanto tempo sobre o rio? – Perguntou um deles.
– Não sei, o mapa não é exato, e as informações não são claras. – disse o navegador.
– São duas pontes?
– Sim, duas pontes.
Após a rápida conversa, o silêncio voltou a imperar no rádio e, mais uma vez, a monotonia tomou a tripulação. Só se ouvia o som dos motores ecoando nas árvores que se erguiam além de suas cabeças. Abaixo, o reflexo de seus aviões tremulava na superfície irregular do rio. E acima, o céu azul que agora parecia tão ameaçador.
Uma hora e meia, e nada. Nada de pontes, nada de estrada, nada de inimigos... Klaus começou a se perguntar se tinham avistado o rio certo. E se fosse o errado? Onde estariam então?
No segundo avião, o piloto gesticulou para o gunner do primeiro se estavam no caminho certo. Esse, por sua vez, berrou dentro do avião:
– E aí, comandante. Sipoli quer saber se esse mapa não tâ de cabeça pra baixo.
Rapidamente, obteve a sua resposta. – Vai à merda! – O gunner então se virou para trás e deu de ombros para o avião ala.
Klaus se sentiu pressionado. Olhou para o relógio e para o ponteiro do combustível. Pensou até se o mapa não estaria realmente de cabeça para baixo. Resolveu então que iriam retornar se não encontrassem o caminho certo em meia hora. Mas alguém gritou:
– Mas que merda é aquela lá no meio do rio?
– São destroços – gritou Sipoli pelo rádio.
Eram os primeiros sinais de combate. Duas grossas pilastras que nasciam de dentro do rio apareceram logo à frente.
– É a primeira ponte, os miseráveis a destruíram. Com certeza a segunda também estará. Gunners, fiquem atentos para movimentação inimiga às margens.
O vôo, agora mais tenso do que nunca, continuou com todos em estado de alerta. Pelo menos, agora, Klaus sabia que estavam no caminho certo. Era uma questão de tempo para a segunda ponte aparecer em seu caminho.
E não demorou muito. Em pouco mais de vinte minutos, o rio revelou a segunda ponte também em ruínas. Daquele ponto, dobraram para a esquerda como planejado seguindo a estrada asfaltada.
– Senhores – anunciou Klaus, – o alvo está logo à frente. Mais uns dez minutos de vôo. Precisamos sair da toca para ganhar altitude. Sipoli, vamos subir!
– Positivo, Klaus! Tô junto de você.
Então, o ronco dos motores aumentou e os aviões apontaram para o céu. Lentamente, e com muita dificuldade, foram ganhando altitude. Altitude que precisavam para localizar o alvo a fim de mergulhar para largarem as suas bombas. Mas a manobra teria um preço: iria colocá-los à vista de qualquer inimigo que voasse por ali.
– Klaus, alguma cosa?
– Não, Sipoli. E você?
– Também não. E quanto a vocês aí a trás?
– Nada.
– Também nada.
Mas em meio à conversa, um alarde – Alvo logo abaixo. Na estrada, bem na curva.
– Positivo, contato visual. Sipoli, está mais do seu lado, mergulha primeiro que vou depois. Boa sorte, cara!
– Boa sorte pra vocês também – e o Stuka mergulhou já em meio flak que estourava ao seu redor. No entanto, do mesmo jeito que usaram a floresta como escudo, um demônio de corpo listrado também usou, e os seguia há algum tempo.
– Caralho, que porra é aquela! – dois segundos se passaram até Klaus identificar o vulto que se aproximava do Stuka que atacava. – Sipoli, é a porra de um Listrado. Aborta a porra do mergulho e sobe. – Listrado era como chamavam o Tempest, um avião aliado fortemente armado com quatro listras em sua fuselagem.
Sipoli gritou de volta já ouvindo o som de seu gunner disparando. – Negativo, tô com o alvo na mira. Se não for agora, não vai nunca. Dê cobertura!



Klaus embicou seu avião na traseira do Tempest e não perdeu tempo em atirar, apesar da distância. Suas balas acertavam o Listrado que, apesar de sua forte blindagem, curvou para um lado abandonando o ataque.
– Sipoli, bomba e estica que ele saiu do seu rabo.
– Positivo.
Aproveitando o mergulho, Klaus também passou e largou as suas bombas. Mas o Listrado não tinha ido embora. Ele completou a sua curva indo agora para cima do Stuka líder, já que o seu ala esticara em direção a segurança da floresta. Foi à vez do gunner do Klaus trabalhar.
O combate não foi desigual. O Stuka era mais lento e com armas mais fracas, mas sendo bem pilotado, curvava muito mais que o pesado Tempest, dificultando assim o ângulo de tiro do inimigo. Eles então ficaram por alguns minutos curvando em busca de um bom tiro.
– Onde você tá, Klaus.
– Na merda, na merda...
– Eu vou voltar então.
– Não volte, ele vai matar os quatro.
Um bate-boca se desenrolou em meio ao “dog” que parecia não ter fim. Klaus gritava com Sipoli ao mesmo tempo em que gritava com o seu gunner. Tudo abafado pelo som das balas que iam e vinham dos dois aviões. Mas, repentinamente, o gunner do líder parou de atirar.
– Porra, porque parou de atirar? Essa merda travou?
Não obteve resposta, e Klaus não insistiu mais em perguntar quando percebeu a enorme quantidade de sangue que escorreu sobre o assoalho de seu avião. Ele sabia o que havia acontecido ao seu fiel escudeiro, mas não houve tempo de se lamentar.
– Ahhhhhhhhh... Filha da puta!
Uma bala do Tempest atravessou todo o cansado Stuka até atingir a mão direita de seu piloto, que sentiu pela primeira vez na guerra que o fim estava próximo. Com dificuldade, trocou de mão e voltou a curvar com o inimigo que tentava a todo custo dar o tiro final. Foi quando um terceiro avião se juntou ao “dog”. Klaus conhecia muito bem o som daquele motor.
– Fica firme aí, cara. Que tô nele.
– Positivo – respondeu Klaus tentando manobrar seu avião de mão trocada.


Agora o Listrado estava em clara desvantagem. Se tentasse engajar um dos bombardeiros, ele seria também engajado pelo outro. O piloto então percebeu que não era páreo para dois Stukas e tentou esticar uma reta para abrir espaço entre ele e os alemães. Mas Sipoli já estava muito “dentro” dele e “largou o dedo”. A carcaça do Tempest até que agüentou, mas não o suficiente. Ele esfumaçou e inclinou para a esquerda. O americano bem que tentou pular, mas o combate fora muito perto do chão. Klaus, de canto de olho, só viu um forte clarão vindo do solo, depois ouviu um grito.




– Eu peguei, eu peguei...
– Boa, Sipoli!
– Ele caiu, ele caiu, ele caiu...
Repentinamente, o silêncio na escura garagem foi interrompido pelo toque do celular de Eduardo. O som do aparelho afastou todas as lembranças daquela estória. Ele então atendeu rapidamente a ligação.
– Sim, sou eu. Eu entendo, Doutor. Estamos indo agora mesmo, abraços.
Fora uma ligação do médico de seu pai. Às pressas, o casal abandonou a garagem e seguiu para o hospital.
– Como foi que você o encontrou? – sussurrou Ana ao marido.
– Se esqueceu que sou relações públicas do governo? Tenho contatos, meu amor! Contatos! Fiz algumas ligações e descobri arquivos com informações pessoais de vários pilotos da segunda guerra: onde e quando serviram. Pesquisei todos que voaram no esquadrão de papai e descobri o nome completo do seu amigo. Sipoli era só um apelido. Daí foi só ligar para uma organização de ex-combatentes para achar o telefone do velho.
– E ele será que vem?
– Isso nós logo veremos. Mas vamos ficar quietos agora, acho que vai começar.
O padre, em silêncio, entrou na capela e cumprimentou aos familiares e alguns amigos. Em seguida, com os braços abertos, convidou a todos que se reunissem ao redor do caixão.
– Meus irmãos, é com pesar que aqui estamos reunidos para nos despedir desse companheiro que tanto nos trouxe...
– Olhe, amor. Será que é aquele ali? – sussurrou Ana no pé do ouvido de Eduardo.
– Mas é claro que não. A guerra foi há setenta anos, e eles tinham uns vinte e seis anos. Ele deve ter mais de noventa anos, com certeza.
– ...e a sua família nunca se esquecerá da sua luta pela comunidade, da sua luta pela sua cidade, da sua luta pelo seu país...
Ana parecia mais curiosa em conhecer o velho do que o próprio Eduardo. Cuidadosamente, ela escorregava os olhos na multidão em busca de alguém que pudesse se encaixar no perfil de um ex-combatente. Mas o seu falecido sogro era muito popular e tinha muitos amigos de idade. Seria difícil reconhecer o velho entre tantos outros. Eduardo, mais paciente, e de cabeça baixa, ouvia atentamente as palavras do padre.
– ...ele foi para a guerra assim como Jesus foi para a cruz, e ambos agora descansam no paraíso ressuscitados por Deus na vitória sobre a morte...
Então, em meio às palavras do padre, Ana ergueu sua cabeça quando um velho homem de bengala entrou atrasado na capela. O seu movimento chamou a atenção de Eduardo que também olhou na mesma direção que ela.
– Só pode ser ele!
– Sim, também acho. Só pode ser ele.
...e agora, queridos irmãos, vamos dar as mãos para a última oração. Todos juntos, por favor: “Pai nosso que estas no céu, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso reino. Seja feita a Vossa vontade...
Enfim, a reza terminou. Algumas mãos gesticularam o sinal da cruz. Outros apenas choraram. Os mais próximos beijaram o defunto. Os demais, lentamente se afastaram para fora da capela.
Nesse movimento, Ana e Eduardo se aproximaram do velho de bengala.
– Senhor Sipoli?
– Sim. Sou eu, meu jovem. O senhor deve ser o Eduardo. Meus Pêsames!
– Obrigado. Meus pêsames ao senhor também. Está é Ana, a minha esposa.
– Prazer em conhecê-la!
Enquanto se cumprimentavam, o caixão era conduzido para cima do carrinho de ferro. Logo atrás, vieram as coroas que foram colocadas cuidadosamente sobre a madeira muito bem lustrada. Não demorou muito para a procissão começar. Os três, um pouco afastados da multidão, acompanharam todos no mesmo passo.
– Senhor Sipoli, diga-me uma coisa. Vocês foram muito amigos durante a guerra?
– Sim, mas é claro. Não tinha como não ser amigo de seu pai, contador de estórias. Ele era muito engraçado. Nos conhecemos na academia muito antes da guerra.
– Mas e aquele vôo, como terminou? O que aconteceu depois que vocês pousaram.
– Hã, sim. Aquele vôo que você falou no telefonema. Pois bem, depois que o Demônio Listrado se espatifou no solo, eu me juntei ao seu pai. Percebi que o seu gunner estava morto, com meio corpo para fora do avião. Seu pai, ferido e sem rádio, fez sinal de “ok” e seguimos para casa. Tivemos sorte, meu filho. Não fomos mais molestados por nenhum inimigo.
– Mas e depois, vocês foram muito amigos depois.
– Não houve depois, minha filha. Assim que chegamos em território amigo, Klaus fez sinal de que iria pousar de emergência numa estrada. O seu avião vazava combustível, óleo e sangue por todos os buracos na fuselagem. Nos despedimos antes dele seguir para pouso. E então, nunca mais nos vimos. Pousei numa base distante e fui logo remanejado para a fronteira. Dias depois, soube que ele tinha sido resgatado e que iria sobreviver.
– Nossa, que estória! – respondeu Ana surpresa.
– É verdade. Naquele dia, ele salvou a minha vida. E eu tinha de retribuir.
Eduardo, por sua vez, tirou um envelope do bolso e o entregou ao velho, que logo o abriu. Abatido, olhou para a foto por um tempo, passou o dedo sobre a imagem, e segurando as lágrimas, a colocou no bolso da camisa. Sem muitas palavras, se despediu e se virou de costas para ir embora.
– Ele não vai esperar o enterro terminar?
– Não precisa, amor. Já foi demais ele ter vindo aqui hoje.
– Tem razão. Vamos terminar com isso e seguir nossas vidas.
– Sim, amor. Vamos!


FIM.