sábado, 5 de maio de 2012

Cap. 31 - O último voo?


Começando mais uma daquelas tardes cansativas, e como sempre meu Comandante Mutley me encarrega de fazer uma patrulha sobre território inimigo, pois nossas bases foram atacadas a três dias atrás pelos malditos IL-2. Na minha base que fica mais ao norte, no litoral, tivemos a perda de sete BF-109 e cinco FW-190, isso sem mencionar as toneladas de munição, a nossa sorte foi que algumas aeronaves haviam sido transferidas para uma base mais ao oeste uma semana atrás, mas o azar foi que infelizmente tivemos a morte de sete pessoas, entre mecânicos e pilotos, e mais doze que foram feridas.

Naquela tarde as 13:27h, quando meu BF-190F4 já estava pronto para decolar e eu para começar a patrulha, pedi ao mecânico para instalar uma bomba de 250Kg, já que possivelmente eu iria encontrar alguns comboios ao leste.

Ao caminho da aeronave, já estava um pouco tremulo, talvez estivesse com um pouco de receio em relação a essa missão,  claro... até porque eu não era um piloto exemplar de BF por sempre acabar quebrando (ou danificando) aquelas malditas rodas curtas e dando trabalho para os mecânicos...  Que saudades do meu Zero. O livro do pessoal de manutenção indica taxas de danos em um terço dos BF109 em pousos ou decolagens, devido principalmente ao trem de pouso estreito.

Minha decolagem foi tranqüila, apenas com um pouco de turbulência na subida, mas depois de passadas as nuvens que estavam a cerca de 2.500 metros, tudo ficou mais calmo e pude seguir a 090 HDG durante uns 20 minutos, então nivelei a 3.500 metros, dando algumas voltas sobre território inimigo, não vi nada, foram mais de 20 minutos circulando sobre área hostil.

Após 40 minutos de minha decolagem, atento ao tanque de combustível, começo a voltar para a base quando encontro em uma estrada, cerca de 2 quilômetros a frente vários caminhões em fila, eram cerca de 12, eu estranhei pensando: “O que faz um comboio de caminhões andarem sozinhos sem nenhum tipo de proteção?”. Seriam da Wermacht?

Mas além de patrulhar eu tinha outra ordem: “Destruir qualquer tipo de atividade hostil que encontrasse a partir de 15 Km da base”, seguindo essas ordens fui para a perseguição desse comboio. Estava alinhado com o Comboio, mas 3.200 metros acima, prontamente empurrei o manche em direção ao painel e desci em 45° tentando a sorte de acertar o centro desses distraídos, e realmente distraídos, apesar do som ensurdecedor do motor do meu BF109 não sei como não me perceberam, será que acharam que eu pudesse ser um aliado?

Depois que soltei a bomba, puxei o manche totalmente, comprimindo o mesmo no ventre quando de repente: BOOM!!!. Escuto uma grande explosão, o fogo passa por minha aeronave que treme totalmente.
"- Mas que diabos foi isso? Uma bomba de 250kg não tem tamanho poder de destruição" Vejo pedaços de caminhão subirem a mais de 700 metros, consigo distinguir um eixo traseiro com rodado duplo a minha direita, com os pneus incendiados, um dos caminhões, ou mais de um devia estar carregado de bombas ou munições, depois do grande susto, nivelo a aeronave, sinto os comandos já me preparando para saltar caso algo dê muito errado, pode ser que eu tenha comprometido algum controle, começo a escutar um ruído estranho, sem me importar faço uma curva a esquerda e fico impressionado com a altura do fogo e da fumaça, a nuvem negra chegou a mais de 1 quilometro de altura. Está uma confusão lá embaixo, vejo algumas pessoas saltando dos caminhões, algumas disparam para cima, e outros caminhões começam a fugir para fora da estrada.

Destravo minhas armas, ligo a lâmpada do colimador e faço alguns mergulhos quase que desesperados, faço vários disparos, consigo acertar mais 3 caminhões (1 em cada mergulho), 1 deles explode com meus tiros, o brilho da explosão desse caminhão foi tão forte, que senti meus olhos arderem por alguns segundos.

Destrui mais de 70% daquele comboio e com apenas 30% de munição sobrando os abandono e volto para HDG 270 indo em direção a minha base. No meio do caminho começo a escutar gritos de socorro desesperados pelo radio, um piloto de Stuka está tentando fugir de um P-39, quando chego ao local que era caminho de minha base, vejo uma aeronave se espatifando contra o solo, e outra fugindo soltando  grandes e espessas nuvens de fumaça negra, sem saber o que tinha acontecido, chego atras da aeronave que continuava voando, sem conseguir identificar quem era pela quantidade de fumaça, e sem resposta no rádio, efetuo alguns disparos por sobre a aeronave a fim de distrair seu piloto, e vejo a aeronave fazendo uma curva forçada para a direita, logo tomo  uma posição ideal para abate-lo, pude identificá-lo e era o P39 mesmo, mas como a aeronave inimiga estava com o motor fraco acabo ultrapassando-a, faço uma curva desesperada para a esquerda, com medo que o inimigo me acerte, subo rapidamente, fora do seu alcance e vejo suas traçadoras passando  bem acima do meu canopy. Quando ele começa a ir para sua base, mergulho a direita já centralizando o colimador em meu inimigo e de repente mais um susto, minha aeronave é jogada para o lado bruscamente, fazendo-me debater dentro do cokpit e causando uma dor horrível em meu braço. Minha hélice está parada, tento 2 vezes religar o motor sem sucesso, só me faltava essa agora.

Com uma atitude meio suicida, mesmo sem motor faço um mergulho no meu inimigo, vendo-o tentar um pouso, disparo o canhão do BF e o vejo explodir e partir em dois em pleno ar, os restos da aeronave se espatifam em uma bola de fogo pelo chão, juro que fiquei assustado nessa hora, mas logo voltei a atenção para meu motor.

Recorro ao rádio, perguntando o que posso fazer, mas já era tarde, meu avião já estava a 300 metros do chão, o motor não ia voltar a funcionar nunca, mesmo com minhas tentativas. Antes do meu pouso passo pelo rádio as coordenadas onde devo estar, os dois combates acabaram me fazendo perder a orientação do terreno. Desligo o rádio e presto atenção apenas em meu pouso, com o tanque quase vazio fico até mais aliviado em pousar  com o ventre da aeronave, o lugar não tem muito mato,  mas o bastante para eu não enxergar possíveis pedras ou buracos. O avião roça chão, quando tudo começa a tremer empurro do o manche para frente, imaginando o choque brusco abaixo a cabeça, e acabo com a cara no painel, sinto uma dor insuportável, sem falar dos cortes no rosto causando muito sangramento.

Após um tempo que levo para me reorientar e pensar no pouso forçado, saio do cockpit, cambaleando de tontura e vou andando meio que inconsciente para sair de perto da aeronave que estava já totalmente inutilizada, sua estrutura foi fortemente abalda, esta toda amassada e distorcida com o impacto, saía fumaça preta seguida por uma pequena chama pelo capô do motor que quase foi arrancado pelo impacto.

Uma hora depois do pouso chega um Panzer para me buscar, este me encontra sentado na asa do BF que já não mais corria risco de explodir. Sou socorrido prontamente e encaminhado para a base onde os outros pilotos, com um sorriso de “Bem Vindo" me aguardam no ambulatório, isso me deixa alegre mesmo naquele estado, mas guardo um pensamento só para mim nesse dia: “Sobrevivi ao inferno para continuar nele?”.

Estou na enfermaria ha 20 dias, não sei quando vou voltar a voar, o meu estado físico esta em uma recuperação lenta... ou talvez seja o clima dessa guerra que não deixa eu me recuperar.

3 comentários:

  1. Haha muito boa Fake, sei que vc prefere ficar com as Enfermeiras, mas vou mandar uns Comandos para te resgatar hahaha.

    Posso numerar como capítulo do nosso livro?

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  2. Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee muito bom!!!!

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  3. hehehe..
    claro qu simMutley, eu nem lembrei de adicionar a categoria no post

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