segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cap. 44 - Spy in the sky

Janeiro de 1945, queda da Prussia.

Acompanhávamos a derrocada da Wehrmacht , estávamos encurralados ao norte da Polônia, onde uma frota de navios preparava a nossa retirada pelo porto de Koningberg, bem parecida com a de anos atrás realizada pelos aliados em Dunquerque. Os Russos com a vantagem no ar de 6x1,  e suas tropas no chão capturaram toneladas de nossos equipamentos. Nossos sapadores, destruíam tudo que podiam na retirada, inclusive aviões danificados que ficavam nas bases evacuadas.

Mas por algum motivo dois de nossos preciosos ME 262 havia caído em mãos do inimigo. Estes maravilhosos caça a jato, o primeiro avião de combate com motor a reação a entrar em combate no mundo.
E agora  o inimigo poderia estudá-lo.

Reunidos na barraca da inteligência de nossa nova base, recebemos as péssimas notícias do oficial de inteligência, o Capitão Herman.

- Senhores, Sobre os dois ME 262 capturados pelos Russos, temos a informação que seriam enviados a Moscou, para testes e desmonte, para que eles pudessem desenvolver um avião a jato similar ao nosso.

Pensei até ai nada de novo, azares da guerra.

- Mas, recebemos a informação de uma coluna de nossas tropas em retiradas, que juram terem sido atacadas, por um Schwalbe ( ME-262) em ataque ao solo, lançando bombas e strafando as colunas.

- Mas Capitão, pode ter sido um caso de fogo amigo, algum dos nossos se enganou e atirou em nossas tropas.

-Sim Coronel Mutley, poderia. Mas, como nossos ME-262, foram retirados para a Alemanha para defesa de Berlim, deduzimos que o ME-262 operacional foi que nos atacou.

- Levaria muito tempo para que os Russos tivessem um piloto treinado para voar com o Rato (Apelido do ME-262 dado pelos aliados). Exclamou o Capitão Fred.

- Ai é que vem outra má notícia, um de nossos pilotos de ME-262, desertou, e a  força aérea do Exército Russo não perdeu tempo em usá-lo. Inclusive o ME-262 para passar despercebido, continua voando com as marcações da Luftwaffe.

-HUMMM (foi o murmúrio entre nossos pilotos).

Este era o pior dos quadros, a situação havia se invertido, como poderíamos voar concentrados nas missões, sabendo que do nada poderia aparecer um dos nossos atirando com 4 canhões de 30mm.

- Senhores, foi determinado pelo OKL, que devemos usar todos os meios para localizar e destruir esta nova ameaça. A Força Aérea Abutres, deve decolar em esquadrilhas, patrulhar as nossas rotas de fuga e se encontrar, perseguir até destruir o inimigo. Assim que for possível, teremos um par de ME-262 entregue a vcs para concluir esta missão.

Silêncio na sala
- Mas até que isto ocorra teremos um reforço. E precisamos de um voluntário. Durante nossa retirada, um piloto Russo quase sem combustível, pousou em em uma base nossa, pensando que estava em uma base Russa. E capturamos um YAK-9UT novo em folha. E precisamos que o voluntário, voe sobre território inimigo, com as marcações da Força aérea Russa, para não levantar suspeita e tente descobrir de que base o ME-262 está decolando. Assim poderemos bombardeá-la e quem sabe voltar a ter menos reclamações do exército.


Muitos se apresentaram para experimentar a aeronave russa. Eu me levantei e disse:

- Senhores, fico muito orgulhoso em ver tantos voluntários dentre os Abutres. Mas para uma missão quase suicida como esta, em que o piloto sendo preso pelos russos voando em uma de suas aeronaves, será fuzilado sumariamente,  creio que deveríamos tirar na sorte.

- Coronel tem mais uma coisa (Falou o Capitão da Inteligência). Isto não será necessário, tendo em vista que os Comandantes Sípoli e Pasfar precisam preparar as patrulhas com os seus pilotos, e com sua experiencia tendo sido piloto de prova, o Senhor foi escolhido.

- Sobrou - resmunguei.

Acabada a reunião, segui para o Hangar, onde camuflado estava o fabuloso avião fabricado pelos russos, subi na escada de acesso e olhei em seu cockpitch, colado abaixo de cada instrumento, o nome em alemão, para me facilitar a vida. O mecânico encarregado, me passou rápidas instruções, sobre aceleração, a marcação de combustível, altímetro e tudo mais. Eu que já havia derrubado muitos Yaks na Russia e que também já havia sido abatido por eles, sabia das qualidades desta aeronave, principalmente quando ao armamento e a capacidade de curvar.

Me despedi de nosso mascote, o famoso cão Rabugento, que tinha um humor pior que o meu, quando volto a pé para a base.


O caça- bombardeiroYAK-9UT, apesar de não ter um dos motores mais potentes da guerra, o VK-107 A com apenas 1.180hp, era conhecido por seu forte armamento, 2 canhões de 20mm B20s e um de 37mm no eixo do hélice NS-37. E também por ser um dos mais manobráveis da guerra, tendo o piloto que tomar muito cuidado para não desmaiar devido a força G que ele criava em suas curvas muito fechadas.

E lá estava eu dentro do cockpitch da aeronave inimiga pela primeira vez, imaginando a sensação de um piloto Russo prestes a decolar. Taxiei para a cabeceira da pista e em minhas asas, Falker e Josphe de BF 109 para me escoltar, caso algum  outro avião alemão tentasse me derrubar, me escoltariam até o front, e na volta me receberiam e acompanhariam até a base.

Decolados, seguimos para o sul, onde as tropas se aglomeravam em fuga pelas estradas poeirentas, minha escolta balançou as asas e RTB. E eu passando o front, subi a 9k em direção a base Russa mais próxima ao front. muito alto, só avistei alguns PE-2 decolando e nada mais, fiz uma curva e voando com muita economia retornei ao fronte, onde fiquei Abutreando nossas colunas em retirada. Mais adiante cerrei os olhos e pude ver a flak rápida atirando em alguma coisa, mergulhei para 5k, pois não vi nada lá de cima, agora tinha que me preocupar com aviões russos e alemães, pois a esta altura qualquer um poderia me engajar.

Com muito custo avistei um dot, atirando rajadas de canhões de 30mm e lá ia nosso rato, em uma velocidade estúpida, impossível de acompanhar, me posicionei entre ele e ao front por onde imaginei que ele iria evadir para a sua base. E assim que ele passou, mergulhei em sua direção, mas ele estava muito rápido uns 900km/h, meu caça em mergulho poderia chegar no máximo a 700km/h. Segui-o de longe até que ele pousou na base. Voltei a subir para 9k de altitude. Fiquei esperando, coloquei em modo econômico novamente e ai minha paciência foi recompensada, pensei em atacar quando ele estava decolando, assim como os Britânicos faziam com o Tempest para derrubar nossos ME-262, mas nesta base a Flak era muito reforçada. eu não teria chance. Acompanhei lá de cima o trajeto do desertor, e ele seguiu outra estrada, até iniciar novo processo de strafamento de nossas tropas. Mergulhei e o perdi momentaneamente, pois ao verem as estrelas vermelhas em minhas asas, a flak disparou insana contra minha aeronave. E quando vi novamente, os rastros de fumaça dos dois motores Jumos, encontrei o Rato fazendo uma curva a esquerda para voltar a strafar nossas tropas,

- Pqp por que eu não trouxe foguetes (murmurei).

O piloto desertor deve ter se assustado, ao dar de frente com um avião engajando ele. Mas, confiante em sua velocidade e poder de fogo, veio HTH comigo.


Aparentemente ele estava longe e demorei a atirar, vi o fogo em seus canhões, e senti um tranco em meu avião quando ele passou rapidamente logo acima. Meus tiros não acertaram, meu avião começou a virar para a esquerda, testei meus ailerons e leme e tudo respondia, mas quando testei o profundores , quase estolei, olhei para trás e me espantei de ainda estar voando, pois o profundor do lado esquerdo havia sido arrancado, e tinha também um buraco feito por um dos obuses de 30mm na asa esquerda.

Decidi o mais rápido possível, se corre o bicho pega, se ficar ainda tenho alguma chance. De olho no Rato, fiz a curva a esquerda, subindo como podia. ele curvou e ao invés de aproveitar sua ampla vantagem em velocidade e razão de subida, achou que eu já estava liquidado e desceu em HTH novamente, desta vez eu suando já estava com os dedos nos gatilhos, baixei o nariz um pouco, e quando quase podia tocá-lo,




cabrei o nariz e atirei com tudo, ele errou pois não esperava minha manobra e eu com um tiro de sorte, acertei a turbina esquerda que incendiou imediatamente.


Curvei novamente atrás dele, ele fez uma inversão e mergulhado conseguiu apagar o fogo. recuperou rente ao solo e com uma ampla curva foi em direção as suas linhas e base.

Meu avião muito danificado puxava para a esquerda, mas eu não podia deixar esta ameaça a salvo e fui atrás dele até bem próximo a sua base, quando ele com o motor em chamas novamente, tentou pousar na grama de um pasto. Como o 262 demanda uma comprida pista de concreto, ele quicou no pasto e quebrou o trem no segundo toque, vindo a capotar e explodir.
                 









Satisfeito e suando muito, continuei lutando para não cair, pois estava em território inimigo e não queria ser fuzilado como espião.

30 minutos depois com escolta de Falke e Josphe pousei em nossa base. Todos admirados pela resistência do YAK-9 russo.





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